Num dia de muito calor , daqueles dias em que não se consegue respirar, eu e a minha noto que é pequenito, já estavamos cansados de nos abanicar, de repente, lembrei-me de pegar na bicicleta e irmos até à praia.
Assim foi, num instante pus o chapéu no Naná, coloquei-o no cesto e aí fomos nós, que a praia do Guincho é já ali mais abaixo. Atrás de nós iam borboletas de todas as cores, junto a nós ouvia-se o chilrear dos pássaros que também nos seguiam e algures não sei onde ia um Anjo da Guarda, não fosse a velocidade aumentar e estrapalharmo-nos por alguma ribanceira.
Quando chegamos tive a sensação que tinhamos voado, o mar azul de um azul que só esta praia tem, estava à nossa frente, e nesta corrida infernal, o Naná, as borboletas e o chilrear dos pássaros, era uma confusão, eu tropecei e caí, não me levantei, deixei-me ficar quieta, não ouvia nada nem o barulho do mar. Então aos poucos levantei a cabeça, tinha caído da cama abaixo e simplesmente tinha sonhado!
Avó Carmita
estrapalhar = cair às cambalhotas
